quinta-feira, 2 de janeiro de 2020



NOVELA DA VIDA REAL

CAPÍTULO 3


Hoje é um daqueles dias. Dias em que a mente acelerada luta contra um pensamento fixo:
desistir de TUDO!
Minha cabeça anda cheia de problemas e não consigo pensar em uma solução.
No momento a única solução é desistir.
Não queria que fosse assim, mas talvez esse seja o meu destino.
Alguns nascem para a felicidade e outros nascem para sofrer.
Na loteria da vida o meu prêmio foi viver na prisão da frustração,
uma carrasca que me arrasta para um poço tão fundo que é impossível enxergar a luz. 
Já tentei sair dessa situação.
Gritei por socorro, implorei por ajuda,
mas infelizmente a maioria das pessoas me disse que eu estava fazendo drama.
Daí decidi que meu círculo de amizade seria apenas eu e meus pensamentos.
Me tranquei em mim mesmo e passei a viver em meu mundo de solidão e desolação.
Já que ninguém me entende, criei um mundo onde eu mesmo me entendesse.
Na primeira semana tudo estava bem. Eu tinha o controle. No meu mundo o dia durava 24 horas.
E, quando eu cansava da luz do sol, minha noite durava 24 horas.
Contudo, chegou um tempo em que eu não conseguia mais fazer o sol aparecer.
E a noite começou a ocupar todos os meus “dias”.
Eu não conseguia mais me ver dentro do mundo que eu mesmo havia criado.
Minha vida estava desgovernada. Eu comecei a achar que até Deus tinha me abandonado.
Eu estava morrendo por dentro. Aos poucos fui me afastando de tudo, até do mundo que tinha criado.
Me sentia paralisado. Sem perspectiva.
Como era difícil pegar no sono,
eu passava madrugadas inteiras acordado olhando para o teto do meu quarto,
sem conseguir pensar em absolutamente nada. Foi aí que descobri na internet -
meu único passatempo - um jogo onde eu poderia ser quem eu quisesse e poderia matar todos
que estivessem em meu caminho.
Foi uma sensação maravilhosa de prazer.
Eliminar qualquer um que se colocasse em meu caminho.
Destruir os inimigos que planejavam me emboscar.
Exterminar qualquer exército que se levantasse contra mim.
Eu entrava feroz em cada batalha, porém o mais estranho era que quem ficava mais ferido era eu.
Me sentia cada vez mais fraco, mais frágil, mais vulnerável. O jogo perdeu o brilho.
As batalhas travadas já não me traziam tanto prazer.
O jogo perdia sentido e valor a cada dia.
Em uma dessas madrugadas enquanto olhava meu Facebook me deparei com uma postagem que
me impactou. Naquela noite eu havia planejado me cortar para aliviar minha dor, 
mas aquela postagem me colocou contra a parede.
Ela dizia assim:
“Na verdade você não quer se matar, você quer fazer parar a dor que está te matando por dentro.”
Fiquei um bom tempo lendo e relendo aquela mensagem.
Me senti transportado para um ambiente mais iluminado.
O sol voltou a brilhar. Mas ainda tinha uma dúvida.
Como eu eliminaria a minha dor sem, no entanto, me eliminar?
Eu não tinha essa resposta.
O medo me cercava de todos os lados e os pensamentos de derrota
pareciam mais fortes do que antes.
No entanto, eu não estava disposto a viver mais daquele jeito.
Eu era um prisioneiro de mim mesmo.
Senti meu coração acelerando.
Fui tomado por uma sensação de desmaio.
Eu mal conseguia respirar direito.
Minha mão parecia uma torneira de suor.
Eu queria desaparecer do mapa.
Meus olhos foram se embaçando e senti que desmaiaria.
Mas não desmaiei, fiquei paralisado. 

Continua...

quinta-feira, 21 de novembro de 2019



NOVELA DA VIDA REAL

CAPÍTULO 2

O processo de autoconhecimento é uma investigação
permanente. O tempo e as experiências transformam
nosso comportamento, necessidades e anseios,
de modo que é importante revisitar nossas reflexões
de tempos em tempos e nunca perder
o interesse em nós mesmos.
(Revista Você S/A, Edição 255. Ano 2019, p.40)



   Alguém, que me lembro quem, me disse que eu precisava aprender a me auto-observar. Olhar para mim mesmo. Criar o hábito de constantemente me olhar, como se estivesse me colocando diante de um espelho. Quando comecei a fazer isso com seriedade descobri que é criado dentro de nós um jeito de pensar, sentir e agir que é entendido como ideal. E que esse jeito de ser é resultado das experiências que tivemos em nossa infância, interagindo com as pessoas que convivemos, com os lugares que frequentamos, com os tipos de livros que lemos e com os tipos de filmes que assistimos. Tudo isso gera em nós uma programação mental. Criamos um universo interior idealizado baseado em crenças que se tornaram verdades absolutas dentro de nós, conduzindo nossa forma de pensar, sentir e agir. Cheguei à conclusão que não vemos a vida como ela é, mas sim como nós somos. Se somos, então, pessoas negativas, o mundo ao nosso redor parecerá negativo. Se somos pessoas com mania de perseguição, o mundo ao redor parecerá conspirar o tempo todo contra nós. Lembrei do caso de seu Sofrêncio. Ele reclamava de tudo e de todos e por ironia, não sabia o porquê das pessoas estarem se afastando dele. Confesso que bastava dois minutos de prosa com este indivíduo, para o que o dia se tornasse terrível. Sofrêncio, inclusive, alimentava em seu íntimo uma espécie de raiva às pessoas porque acreditava que o outros que não o compreendiam e que ele era quem estava sempre certo. Senhor Sofrêncio era o famoso “desmancha bolinho”. Você sabe o que significa esta expressão? Vou explicar. Se há um bolinho de pessoas conversando em um determinado lugar e o senhor Sofrêncio se aproxima desse bolinho de pessoas, imediatamente esse bolinho se desmancha. Ou seja, cada um segue em uma direção diferente, porque ninguém suporta ouvir as mesmas reclamações e negatividades dele. De certa forma você pode achar este fato engraçado, mas já parou para pensar que muitas vezes o seu comportamento é igual ao do senhor Sofrêncio? Se você parou de rir para agora assumir a postura de se autoanalisar, garanto que o sorriso desapareceu de seu rosto.      Aprendi que o autoconhecimento nos ajuda a identificar o impacto que causamos em nossas relações interpessoais: se é um impacto positivo ou destrutivo. Se você tem dificuldades de avaliar a sua conduta, procure alguém de sua confiança com maturidade suficiente para te ajudar a ver quais comportamentos você precisa mudar urgentemente. Talvez você esteja vivendo uma vida infeliz simplesmente porque não se conhece o bastante para conseguir enxergar que existem determinados hábitos que devem ser modificados para inaugurar um modo de vida mais saudável. Aprenda a eliminar os “Sofrêncios” que assombram a sua vida. Investigue-se permanentemente, não perca o interesse em si mesmo. Procure ser melhor a cada dia e reinvente-se!

            Tasha Eurich – Psicóloga Organizacional norte-americana – em seu livro “Insight” afirma que o fato de nos conhecermos e de termos clareza de quem somos ajuda a alcançar sucesso na vida e no trabalho. Após ter ouvido 5.000 pessoas descobriu que apenas 10% a 15% delas acreditam se conhecer bem. Um índice preocupante, já que mais autoconhecimento está associado a índices mais elevados de satisfação no trabalho, nos relacionamentos, produtividade, autoconfiança e felicidade, além de menos estresse, ansiedade e depressão.

domingo, 17 de novembro de 2019




NOVELA DA VIDA REAL

CAPÍTULO 1
Estamos coletivamente vivenciando a era da
falência emocional e do esgotamento cerebral,
algo só experimentado em campos de batalha.
Mas onde está a guerra que travamos?
Em nossa mente.
(Augusto Cury)


     São cinco e meia da manhã. Mais um dia que consigo acordar antes do despertador. A sensação é de não ter dormido nada! Meu corpo está moído, mas mesmo assim preciso me levantar. Olho como está o tempo pela janela: nublado, porém abafado. Ainda com movimentos lentos escolho um tipo de roupa que melhor se adeque aos compromissos do dia e ao clima. Ao mesmo tempo mentalmente luto contra um pensamento insistente: o de ficar em casa. A desmotivação e a baixa autoestima já estão de pé perto da porta da cozinha me esperando para serem a companhia do dia. Não consigo me livrar delas. Já tentei, mas parecem ficar mais fortes a cada dia. Me pergunto se tenho mesmo que sair de casa hoje. Respiro fundo, pego minha pasta com documentos, miro a saída e em um impulso quase sobre-humano me desloco para o ponto de ônibus. O pensamento de voltar à casa segue comigo. Para sair desse foco olho para a rua e percebo uma casa que parecia não estar ali antes. Olhei mais de uma vez para me certificar e confesso ter ficado confuso, pois não havia reparado aquela casa amarela com flores em um canteiro ao lado do portão, do lado de fora. Minha mente deve estar muito cansada ou meu nível de atenção está baixo demais. Minha mente embora fosse um turbilhão de pensamentos rodando a 300 Km por hora, ao mesmo tempo parecia apresentar algum tipo de mal funcionamento. Como não vi aquela casa amarela? Quando o ônibus chegou, entrei, cumprimentei o motorista e busquei uma banco em que eu pudesse me sentar sozinho. Pensei nas cadeiras individuais, mas já estavam todas ocupadas. Escolhi um banco duplo e me sentei rente a janela torcendo para que ninguém se sentasse ao meu lado. Eu queria privacidade.  Abri um livro e liguei minha invisibilidade. Em cada ponto que o ônibus parava, eu olhava de rabo de olho desejando que ninguém se sentasse ao meu lado. Nem sempre funcionava. Pensando bem, se eu estava invisível, ninguém logicamente me enxergaria. Então, fatalmente ocupariam o lugar ao meu lado.

   Outro dia, também no ônibus, criei uma estratégia eficiente. Para manter minha invisibilidade que, na verdade, era minha vontade de não falar com ninguém, pus nos ouvidos um headphone bluetooth, acessei o Youtube e comecei a ouvir alguns hits de minha preferência. Para minha surpresa, após cinco minutos a bateria do headphone acabou, o celular perdeu a conexão 4G e meu truque de invisibilidade fracassou. Um silêncio entranho me invadiu. Meus ouvidos despertaram para os sons que fluíam dentro do ônibus. Guardei o headphone e os ruídos do motor do ônibus, as conversas dos passageiros invadiram meus pensamentos. Senti como se minha consciência estivesse fora do corpo e eu pudesse ver tudo o que acontecia a minha volta. Vi pessoas falando ao celular, jogando no celular, engolidas pelas redes sociais. E o único sentimento que me pareceu honesto foi DESCONEXÃO através de uma suposta conexão. Fiquei perplexo.
   Todos os dias praticamente saímos de nossas casas como se estivéssemos ligados no piloto automático. Realizamos nossas tarefas, conversamos com pessoas como se fôssemos robôs. Não vivemos intensamente, limitamo-nos a existir. Mas depois desta experiência fiquei me perguntando qual seria o meu papel no palco da existência e o que posso fazer para iniciar uma vida com propósito e significado. Acredito que muitos estão vivendo da mesma forma e sendo empurrados para o abismo da solidão e, consequentemente decretando sua falência emocional. Contudo, descobri que existe uma maneira de mudar tudo isso e, desde então decidi me reinventar.

A OMS (Organização Mundial de Saúde) apontou em 2019 que o Brasil é campeão mundial no índice de ansiedade.
Fonte: Coleção Mente e Vida Moderna. Editora Alto Astral. SP, 2019.


domingo, 17 de janeiro de 2010



 Saber sobre si mesmo é uma forma de evitar que a crise apareça.