NOVELA DA VIDA REAL
CAPÍTULO 3
Hoje é um daqueles dias. Dias em que a mente acelerada luta contra um pensamento fixo:
desistir de TUDO!
Minha cabeça anda cheia de problemas e não consigo pensar em uma solução.
No momento a única solução é desistir.
Não queria que fosse assim, mas talvez esse seja o meu destino.
Alguns nascem para a felicidade e outros nascem para sofrer.
Na loteria da vida o meu prêmio foi viver na prisão da frustração,
uma carrasca que me arrasta para um poço tão fundo que é impossível enxergar a luz.
Já tentei sair dessa situação.
Gritei por socorro, implorei por ajuda,
mas infelizmente a maioria das pessoas me disse que eu estava fazendo drama.
Daí decidi que meu círculo de amizade seria apenas eu e meus pensamentos.
Me tranquei em mim mesmo e passei a viver em meu mundo de solidão e desolação.
Já que ninguém me entende, criei um mundo onde eu mesmo me entendesse.
Na primeira semana tudo estava bem. Eu tinha o controle. No meu mundo o dia durava 24 horas.
E, quando eu cansava da luz do sol, minha noite durava 24 horas.
Contudo, chegou um tempo em que eu não conseguia mais fazer o sol aparecer.
E a noite começou a ocupar todos os meus “dias”.
Eu não conseguia mais me ver dentro do mundo que eu mesmo havia criado.
Minha vida estava desgovernada. Eu comecei a achar que até Deus tinha me abandonado.
Eu estava morrendo por dentro. Aos poucos fui me afastando de tudo, até do mundo que tinha criado.
Me sentia paralisado. Sem perspectiva.
Como era difícil pegar no sono,
eu passava madrugadas inteiras acordado olhando para o teto do meu quarto,
sem conseguir pensar em absolutamente nada. Foi aí que descobri na internet -
meu único passatempo - um jogo onde eu poderia ser quem eu quisesse e poderia matar todos
que estivessem em meu caminho.
Foi uma sensação maravilhosa de prazer.
Eliminar qualquer um que se colocasse em meu caminho.
Destruir os inimigos que planejavam me emboscar.
Exterminar qualquer exército que se levantasse contra mim.
Eu entrava feroz em cada batalha, porém o mais estranho era que quem ficava mais ferido era eu.
Me sentia cada vez mais fraco, mais frágil, mais vulnerável. O jogo perdeu o brilho.
As batalhas travadas já não me traziam tanto prazer.
O jogo perdia sentido e valor a cada dia.
Em uma dessas madrugadas enquanto olhava meu Facebook me deparei com uma postagem que
me impactou. Naquela noite eu havia planejado me cortar para aliviar minha dor,
mas aquela postagem me colocou contra a parede.
Ela dizia assim:
“Na verdade você não quer se matar, você quer fazer parar a dor que está te matando por dentro.”
Fiquei um bom tempo lendo e relendo aquela mensagem.
Me senti transportado para um ambiente mais iluminado.
O sol voltou a brilhar. Mas ainda tinha uma dúvida.
Como eu eliminaria a minha dor sem, no entanto, me eliminar?
Eu não tinha essa resposta.
O medo me cercava de todos os lados e os pensamentos de derrota
pareciam mais fortes do que antes.
No entanto, eu não estava disposto a viver mais daquele jeito.
Eu era um prisioneiro de mim mesmo.
Senti meu coração acelerando.
Fui tomado por uma sensação de desmaio.
Eu mal conseguia respirar direito.
Minha mão parecia uma torneira de suor.
Eu queria desaparecer do mapa.
Meus olhos foram se embaçando e senti que desmaiaria.
Mas não desmaiei, fiquei paralisado.
Continua...



