quinta-feira, 21 de novembro de 2019



NOVELA DA VIDA REAL

CAPÍTULO 2

O processo de autoconhecimento é uma investigação
permanente. O tempo e as experiências transformam
nosso comportamento, necessidades e anseios,
de modo que é importante revisitar nossas reflexões
de tempos em tempos e nunca perder
o interesse em nós mesmos.
(Revista Você S/A, Edição 255. Ano 2019, p.40)



   Alguém, que me lembro quem, me disse que eu precisava aprender a me auto-observar. Olhar para mim mesmo. Criar o hábito de constantemente me olhar, como se estivesse me colocando diante de um espelho. Quando comecei a fazer isso com seriedade descobri que é criado dentro de nós um jeito de pensar, sentir e agir que é entendido como ideal. E que esse jeito de ser é resultado das experiências que tivemos em nossa infância, interagindo com as pessoas que convivemos, com os lugares que frequentamos, com os tipos de livros que lemos e com os tipos de filmes que assistimos. Tudo isso gera em nós uma programação mental. Criamos um universo interior idealizado baseado em crenças que se tornaram verdades absolutas dentro de nós, conduzindo nossa forma de pensar, sentir e agir. Cheguei à conclusão que não vemos a vida como ela é, mas sim como nós somos. Se somos, então, pessoas negativas, o mundo ao nosso redor parecerá negativo. Se somos pessoas com mania de perseguição, o mundo ao redor parecerá conspirar o tempo todo contra nós. Lembrei do caso de seu Sofrêncio. Ele reclamava de tudo e de todos e por ironia, não sabia o porquê das pessoas estarem se afastando dele. Confesso que bastava dois minutos de prosa com este indivíduo, para o que o dia se tornasse terrível. Sofrêncio, inclusive, alimentava em seu íntimo uma espécie de raiva às pessoas porque acreditava que o outros que não o compreendiam e que ele era quem estava sempre certo. Senhor Sofrêncio era o famoso “desmancha bolinho”. Você sabe o que significa esta expressão? Vou explicar. Se há um bolinho de pessoas conversando em um determinado lugar e o senhor Sofrêncio se aproxima desse bolinho de pessoas, imediatamente esse bolinho se desmancha. Ou seja, cada um segue em uma direção diferente, porque ninguém suporta ouvir as mesmas reclamações e negatividades dele. De certa forma você pode achar este fato engraçado, mas já parou para pensar que muitas vezes o seu comportamento é igual ao do senhor Sofrêncio? Se você parou de rir para agora assumir a postura de se autoanalisar, garanto que o sorriso desapareceu de seu rosto.      Aprendi que o autoconhecimento nos ajuda a identificar o impacto que causamos em nossas relações interpessoais: se é um impacto positivo ou destrutivo. Se você tem dificuldades de avaliar a sua conduta, procure alguém de sua confiança com maturidade suficiente para te ajudar a ver quais comportamentos você precisa mudar urgentemente. Talvez você esteja vivendo uma vida infeliz simplesmente porque não se conhece o bastante para conseguir enxergar que existem determinados hábitos que devem ser modificados para inaugurar um modo de vida mais saudável. Aprenda a eliminar os “Sofrêncios” que assombram a sua vida. Investigue-se permanentemente, não perca o interesse em si mesmo. Procure ser melhor a cada dia e reinvente-se!

            Tasha Eurich – Psicóloga Organizacional norte-americana – em seu livro “Insight” afirma que o fato de nos conhecermos e de termos clareza de quem somos ajuda a alcançar sucesso na vida e no trabalho. Após ter ouvido 5.000 pessoas descobriu que apenas 10% a 15% delas acreditam se conhecer bem. Um índice preocupante, já que mais autoconhecimento está associado a índices mais elevados de satisfação no trabalho, nos relacionamentos, produtividade, autoconfiança e felicidade, além de menos estresse, ansiedade e depressão.

2 comentários:

Unknown disse...

O hábito de nos encararmos não nos é ensinado. O tempo todo nos dizem para não pensarmos em nossos problemas, e assim somos empurrados a viver uma busca constante pela felicidade. Não há problema algum no desejo de ser feliz. O problema existe quando essa perseguição nos impede de nos problematizarmos, de entendermos que a dor nos faz crescer, evoluir. Certamente, é mais cômodo e prático terceirizar nossos medos, monstros e problemas, no entanto, esse comportamento só nos afasta de nós mesmo.

ahmed disse...
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